Vivemos rodeadas de ruído.
Neste artigo, partilho como silenciar o ruído da mente e criar espaço para voltares a ouvir a tua própria voz.
O ruído das opiniões, das expectativas, das redes sociais, das tarefas que nunca acabam e das vozes que nos dizem quem devemos ser. Mas existe também outro tipo de ruído: aquele que levamos dentro de nós.
Pensamentos repetidos. Medos antigos. Conversas que já terminaram, mas continuam a acontecer na nossa cabeça. Perguntas para as quais procuramos respostas em todo o lado, menos dentro de nós.
Com tanto barulho, torna-se difícil reconhecer a nossa própria voz.
O silêncio nem sempre é confortável
Durante muito tempo, eu procurava preencher todos os espaços. Música, televisão, telemóvel, trabalho, planos, qualquer coisa que evitasse o silêncio.
Porque, quando tudo se cala, aquilo que temos tentado ignorar começa a falar.
O silêncio pode revelar cansaço, frustração, medo, desejos que adiámos e verdades que ainda não tivemos coragem de aceitar. Por isso, muitas vezes, não fugimos do silêncio. Fugimos do que podemos encontrar dentro dele.
Mas evitar essa voz não a faz desaparecer.
Ela continua presente, por baixo de todas as distrações, à espera de ser ouvida.
A tua voz ou o teu medo?
Nem tudo o que ouvimos dentro de nós vem da nossa essência.
Algumas vozes nasceram das críticas que recebemos. Outras foram construídas pelas experiências que vivemos, pelas rejeições, pelas comparações e pelas crenças que repetimos durante anos.
“Não sou capaz.”
“Já é tarde.”
“Não estou preparada.”
“O que vão pensar de mim?”
Esses pensamentos podem parecer verdadeiros porque são familiares. Mas familiar não significa verdadeiro.
A voz do medo costuma ser apressada, insistente e dura. Quer uma resposta imediata. Procura proteger-nos de qualquer risco, mesmo quando essa proteção nos mantém presas no mesmo lugar.
A voz interior não precisa de gritar. Ela surge com mais clareza quando abrimos espaço. Nem sempre oferece uma resposta completa, mas mostra o próximo passo.
Criar espaço para te ouvires
Silenciar o ruído não significa esvaziar completamente a mente. Significa parar de alimentar todas as vozes ao mesmo tempo.
Começa com alguns minutos.
Afasta o telemóvel. Desliga a música. Senta-te num lugar onde possas estar contigo sem precisar de produzir, explicar ou resolver nada.
Respira e observa o que aparece.
Se sentires necessidade, escreve. Não procures criar um texto bonito. Deixa sair aquilo que estiver presente.
Podes começar com estas perguntas:
- O que tenho evitado sentir?
- Que pensamento tem ocupado demasiado espaço dentro de mim?
- Esta voz pertence-me ou foi-me ensinada?
- O que sei, no fundo, mas continuo a fingir que não sei?
- De que preciso neste momento?
Não tens de responder a tudo. Uma pergunta pode acompanhar-te durante vários dias. O objetivo não é forçar uma conclusão, mas voltar a criar uma relação contigo.
Regressar a ti
Ouvir-te é uma prática. Exige presença e coragem, porque nem sempre vais encontrar respostas confortáveis.
Mas cada momento em que escolhes parar, respirar e prestar atenção aproxima-te de quem és para além das expectativas, dos papéis e das versões que criaste para sobreviver.
A tua voz não desapareceu.
Pode estar abafada pelo medo, pelo cansaço ou pelo excesso de opiniões externas, mas continua dentro de ti.
O silêncio não vem para te deixar vazia. Vem para abrir espaço.
Espaço para reconheceres o que sentes.
Espaço para escolheres conscientemente.
Espaço para regressares a ti.
Não precisas de ouvir tudo hoje. Começa apenas por diminuir o ruído.
Se esta reflexão falou contigo, continua este caminho de reconexão com o livro Deusas em Mim.
A tua chama saberá o caminho.


